Conferência Episcopal de Angola e São Tomé

Comunicado

 

                                                                             CONFERÊNCIA EPISCOPAL DE ANGOLA E S. TOMÉ
 
COMUNICADO DE IMPRENSA
                                              
 
Decorreu de 2 a 9 de Março do ano em curso, em Luanda, a I Assembleia Plenária da CEAST, presidida por sua Excelência Reverendíssima D. Gabriel Mbilingi, Arcebispo do Lubango e Presidente da mesma instituição.
 
            Depois de Oração inicial, D. Gabriel Mbilingi saudou os presentes, sublinhando no seu discurso de abertura os acontecimentos importantes que ultimamente marcaram a vida da Igreja e do País, destacando a nomeação do novo Núncio Apostólico para Angola e São Tomé, Monsenhor Novatus Rugambwa, e a aprovação da nova Constituição pela Assembleia Nacional.
 
A seguir, apresentou os temas principais a serem tratados durante o evento, a saber: 1- Plano Pastoral do triénio 2011-2013; 2- Mensagem sobre a “A Vocação e a Beleza do Sacerdócio”; 3- História dos 70 anos da criação das primeiras Dioceses em Angola: Luanda; Nova Lisboa (Huambo) e Silva Porto (Bié); 4- Os ecos do pós-sínodo nas Dioceses; 5. Seminários; 6. Convites endereçados a Caritas Nacional, Cavaleiros da Ordem do Caminho de São Tiago; Médicos do Hospital Militar e Ministério da Educação.
           
DELIBERAÇÕES
 
Após os trabalhos, os bispos:
 
  1. Aprovaram como tema do próximo triénio Pastoral 2011-2013 a Família, tendo como lema “Família, levanta-te e anda. Repartindo do Sínodo para África”. Assim sendo, o primeiro ano será dedicado à Família e  Matrimónio; o segundo à Família e Reconciliação; e o terceiro à Família e Cultura.
  2. Aprovaram a Mensagem Pastoral sobre “Vocação e Beleza do Sacerdócio”.
  3. Aprovaram a entrada em vigor do novo sistema do ensino nos seminários, abrangendo o sexénio dos cursos filosófico-teológicos a partir do ano de 2012.
  4. Aprovaram o Plano Estratégico da Caritas Nacional, visando a sua adequação aos novos tempos e a sua reestruturação em todas as Dioceses, realçando o seu papel, que é a Pastoral Social.
  5. Confiaram às Arquidioceses de Luanda, Huambo e à Diocese do Bié a elaboração de uma brochura sobre os 70 anos da criação destas Igrejas particulares, em vista à preparação das “Bodas de Diamante” das mesmas.
  6. Autorizaram a Comissão Episcopal da Justiça e Paz a dar corpo à “Monitoria Social”, no quadro do projecto da Justiça Económica.
 
 
CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
 
  • Os Bispos tomaram conhecimento do documento básico da vida dos seminários e recomendaram que seja revisto e adequado ao contexto actual e à reforma educativa em vigor no País.
  • Indicaram D. Filomeno do Nascimento Vieira Dias e D. Emílio Sumbelelo a representar a CEAST no encontro dos Bispos Lusófonos, a ter lugar de 2 a 9 de Julho, em São Tome; D. Gabriel Mbilingui, D. Damião António Franklin e D. José Manuel Imbamba na assembleia do SECAM, a ter lugar de 26 de Julho a 2 de Agosto, em Acra (Ghana); e D. Eugénio Dal Corso na Ordenação Episcopal de D. Novatus Rugambwa, a ter lugar em Roma, a 18 do mês e ano em curso.
  • Tomaram ainda conhecimento da preparação da próxima plenária da IMBISA, marcada para o próximo mês de Outubro, na África do Sul.
  • Apreciaram o relatório do Instituto Universitário João Paulo II e o dossier da Universidade Católica em Benguela.
  • Apreciaram também os relatórios das Dioceses e lamentaram uma certa secundarização das regiões do leste e do Zaire em relação às outras zonas do País quanto à recuperação das infra-estruturas importantes e indispensáveis para o desenvolvimento e dignificação dos povos daquelas áreas.
  • Deploraram os seguintes males sociais: a violência doméstica, o aumento da delinquência juvenil, a exclusão social, a precariedade dos sectores da educação e da saúde, sobretudo nas zonas fronteiriças do leste do País e da província do Zaire; atrasos injustificados dos salários dos funcionários públicos; paralisação e recuperação lenta de algumas obras públicas.
  • Os Bispos solidarizaram-se com as vítimas das chuvas que têm caído torrencialmente sobre algumas regiões do País, perigando a já precária segurança alimentar.
  • Solidarizaram-se também com a Arquidiocese do Huambo pela morte do Reverendo Padre Geraldo Mulungo e com a Diocese de Saurimo pela morte do Reverendo Padre Zacarias Mussumali. Deus os tenha no seu eterno descanso.
  • Receberam uma delegação do Ministério da Educação da República de Angola, encabeçada pelo Senhor Ministro, Prof. Doutor Pinda Simão, tendo analisado o statu quo do Protocolo de Cooperação entre o Ministério e a CEAST assinado em 2001, e tendo sido reafirmada a sua actualidade e vigência.
  • Receberam também as seguintes delegações: 1. Conferências dos Religiosos e Religiosas de Angola, tendo reafirmado a necessidade de se trabalhar em conjunto para o bem do Santo Povo de Deus; 2. A direcção da CARITAS Nacional que apresentou o seu plano estratégico; 3. Um representante da CORDAID que apresentou aos Bispos a nova forma de cooperação com este organismo; 4. Os Cavaleiros da Ordem de São Tiago que apresentaram os seus estatutos para a sua subsequente aprovação; 5. Os representantes do Hospital Militar; 6. O secretário executivo do Secretariado Nacional da Juventude, que apresentou o seu relatório e estratégia para os próximos compromissos.
  • Os Bispos participaram nas festividades alusivas às Bodas de Ouro da presença das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria na Arquidiocese de Luanda, e da vida religiosa da Irmã Inês Caíres; e nas profissões de votos perpétuos e temporários das Irmãs do Instituto Jesus Maria José.
  • Por fim, os Bispos da Conferência, numa celebração eucarística, renderam homenagem à Drª Zilda Arns, Fundadora da Pastoral da Criança, falecida no Haiti, vítima do terramoto.
 
 
Luanda, aos 9 de Março de 2010
                                                          
                                                                           OS BISPOS DA CEAST

 

COMUNICADO
«A verdade libertar-vos-á» (Jo 8, 32)
 
            O Conselho Permanente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé, reunido no dia 26 de Janeiro de 2010 na sua 1ª reunião ordinária;
 
            Tendo acompanhado com muita atenção e preocupação os acontecimentos que se vivem na Igreja Diocesana de Cabinda; escutado e apurado a veracidade dos factos, vem por este meio repor a verdade:
 
            1º) A solicitação do “abandono do sacerdócio” foi feita pelo próprio sacerdote, primeiro numa carta dirigida ao Cardeal Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos no dia 10 de Março de 2008; a seguir na carta de 08 de Novembro de 2009, dirigida ao Bispo da Diocese, citamos palavras textuais: «aproveitaria (…) o ensejo para encorajar Vossa Excelência Reverendíssima a avançar com os procedimentos da praxe canónica segundo a minha intenção já manifestada anteriormente».
 
            2º) Depois de um diálogo paciente e ante a persistência do sacerdote na sua decisão, o Bispo da Diocese, para o bem da Igreja a ele confiado, exarou o decreto de suspensão dado a conhecer ao interessado, enquanto se aguarda pelo respectivo rescrito da Santa Sé para a redução ao Estado Laical. Não foi posto à rua como se deu a entender, escamoteando a verdade, foi lhe dado tempo necessário para deixar a residência canónica.
 
            3º) Por outros motivos, esperamos que sejam revelados oportunamente, o Pe. Raul Tati foi detido pela Polícia Nacional e não foi a mando do Bispo da Diocese, como muitos meios e círculos estão a propagandear. Por solidariedade o Bispo, assim que recebeu a notícia foi, foi visitá-lo, manifestando o seu carinho de Pai e Pastor.
 
4º) O Conselho Permanente lamentar e deplora a forma distorcida como imprensa tem tratado este caso.
 
            Queremos recordar, a todos e de modo particular, os operadores dos meios de comunicação social que, na transmissão das notícias, se evite a tentação e o perigo de usar esta grande potencialidade para obstruir a verdade e prejudicar o bem integral das pessoas. Acima de tudo comunicar a verdade e sempre a verdade na caridade para se edificar e construir quer o tecido moral humano como aquele social.
                                                          
Feito em Luanda, 26 de Janeiro de 2010
O CONSELHO PERMANENTE DA CEAST
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IX SEMANA DE VIDA CONSAGRADA

12-15 de Janeiro de 2010

“ Em tempos de mudança, que identidade e compromisso?” 

 

CONCLUSÕES FINAIS

 

“A Igreja precisa de pessoas consagradas que, ainda antes de se empenharem nesta ou naquela causa nobre, se deixem transformar pela graça de Deus e se conformem plenamente com o Evangelho” (VC 105).

 

Reunidos em Luanda, no salão da Paróquia de Nª Srª de Fátima, de 12 a 15 de Janeiro de 2010, para celebrar a IX SemanaM Nacional de Vida Consagrada, sob o tema: “ Em tempos de mudança, que identidade e compromisso?”, mais de 220 consagradas e consagrados de 55 Institutos Religiosos de Angola, estimulados pela necessidade de se fazer uma leitura dos novos tempos sem perder a identidade de consagrados e sempre comprometidos com Cristo no anúncio do Evangelho, chegaram às seguintes conclusões:

 

 

I - Os Consagrados constatam que ao longo da história, a Vida Consagrada sempre respondeu às mudanças sociais religiosas ganhando outros impulsos e outras fisionomias. Para responder aos novos dificuldades e desafios na Igreja e na sociedade, mantendo a fidelidade e a identidade da Vida Consagrada essa história sugere-nos hoje:

  1. Que os consagrados regressem às origens, ao carisma e à mística fundacional.
  2. Que os consagrados vivam a sua identidade, a partir de Cristo pobre, casto e obediente.
  3. Redescobrir o sentido da Vida Consagrada para a Igreja e para o mundo apartir da cada comunidade religiosa.
  4. Manter-nos abertos aos desafios de deixar o que é negativo da nossa cultura e sentir-se imerso na cultura do evangelho.
  5. Que cada consagrado/a esteja em constante processo de conversão sendo fiel a Cristo e ao Evangelho.
  6. Que os consagrados redescubram e sintam que a fidelidade a Cristo e o testemunho de vida são os grandes contribuitos que a Vida Consagrada pode dar à Igreja Local e à Sociedade angolana.
  7. Criar ou potenciar espaços e oportunidades de partilha de experiências entre congregações, nos lugares onde trabalham, num clima de discernimento comum e em vista de uma inter-ajuda.
  8. Dar continuidade e força à USMIRFA E CSMIRMA, e que se criem estas conferências nas dioceses onde não existem.

 

 

II - Os religiosos inseridos numa realidade em rápida mudança, sentem-se interpelados por novos desafios pastorais e sociais e identificam os seguintes:

  1. Segundo o carisma de cada instituto, responder com prontidão às novas situações de periferias e de fronteira.
  2. Mais formação no campo político para evangelizar os nossos destinatários.
  3. Que haja mais diálogo entre a Igreja e a Sociedade.
  4. Dar mais atenção ao fenómeno da feitiçaria que afecta a Vida Consagrada.
  5. Maior compromisso na Pastoral Vocacional e Familiar.

 

 

 

III - Os consagrados constatam que na realidade de Angola, sentem-se chamados a ler os sinais dos tempos e a exprimir de modo mais visível o seu compromisso com o seu testemunho de vida, obras e palavras (VC 109):

  1. Que a inculturação dos carismas seja o ponto inicial para uma verdadeira e eficaz evangelização.
  2. Que nos nossos locais de evangelização se fomente uma catequese séria e cuidada, respondendo aos desafios de uma sociedade em constante mudança.
  3. Que cada consagrado preze pelo diálogo fraterno, pela sinceridade e partilha na comunidade vencendo toda a forma de mentira e falsidade, testemunhando a riqueza da sua consagração dentro e fora da comunidade.
  4. Sendo fiéis à nossa identidade, devemos ser mais intervenientes  nas situacões clamorosas de injustiça social de opressão e de todo tipo de desorientacão moral. Por isso a necessidade  de educar a sociedade nos valores humanos e cristãos a partir das famílias e das escolas.
  5. Que cada consagrado/a aprofunde a Doutrina Social da Igreja para se tornar um elemento de transformação em vista de uma sociedade mais justa e fraterna.

 

 

Os participantes

15 de Janeiro de 2010

 

 

 

 

Senhor Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Damião Franklin

Abriu os trabalhos o Senhor Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Damião Franklin, que depois de saudar o senhor Núncio Apostólico, procedeu a análise das actividades da CEAST no último triénio e a apresentação dos desafios que se colocam à missão da Igreja nos nossos dias.
Dom Damião Franklin apontou, entre outros, como grandes desafios o crescimento demográfico, sobretudo o crescimento dos aglomerados urbanos, o prevalecer da mentalidade feiticista em ambientes cristãos, a continuidade da reflexão sobre a segurança social do clero e os convénios com os institutos religiosos; na vida social destacou a necessidade da multiplicação de esforços para a consolidação da paz e reconciliação nacional, o acompanhamento atento das questões eleitorais, e a expansão da pobreza.

Os Bispos de Angola, reunidos em Assembleia, gostariam de dar uma palavra de ânimo e de orientação aos nossos estimados catequistas.
Os catequistas são embaixadores da Palavra de Deus e de animadores das comunidades em todo o território nacional.

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