Comunicado
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São Tomé, 2 a 8 de Julho de 2010
O IX Encontro das Presidências das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos teve lugar na cidade de São Tomé, capital da República Democrática de São Tomé e Príncipe, de 2 a 8 de Julho de 2010. 1. Foram estes os participantes, aqui enumerados por ordem alfabética das nações donde procedem: D. Filomeno Vieira Dias, Vice-Presidente da CEAST e Bispo de Cabinda, Angola; D. Emílio Sumbelelo, Secretário-Geral da CEAST e Bispo do Uíge, Angola; D. Luís Soares Vieira, Vice-Presidente da CNBB e Arcebispo de Manaus, Brasil; D. Arlindo Gomes Furtado, Bispo da Praia e Administrador Apostólico do Mindelo, Cabo Verde; D. José Câmnate na Bissign, Bispo de Bissau, Guiné-Bissau; D. Pedro Carlos Zilli, Bispo de Bafatá, Guiné-Bissau; D. Lúcio Andrice Muandula, Presidente da CEM e Bispo de Xai Xai, Moçambique; D. Francisco Chimoio, Vice-Presidente da CEM e Arcebispo de Maputo, Moçambique; D. Jorge Ferreira Ortiga, Presidente da CEP e Arcebispo de Braga, Portugal; P. Manuel Morujão, Secretário-Geral da CEP; P. José Maia, Presidente da FEC, Portugal; D. Manuel António dos Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe. Participaram ainda, em parte dos trabalhos, a Dra. Dulce Évora, jornalista da Rádio Vaticano, de Cabo Verde; e os Drs. Fátima Viegas e Zeferino Juliana, da Associação Cristã de Gestores e Dirigentes, de Angola. 2. Todo o grupo se sentiu muito bem acolhido em São Tomé pelo Bispo local, pelas Congregações religiosas e pelas Comunidades das Paróquias que visitou, tendo em todas rezado e nalgumas celebrado a Eucaristia. Foi uma experiência de particular consolação e júbilo participar na ordenação presbiteral do Padre diocesano Fausto Matos e na celebração dos 25 anos de sacerdócio de D. Manuel António dos Santos. Todo o grupo se sentiu confortado pela fé do povo irmão santomense, manifestada particularmente nas celebrações eucarísticas muito participadas e festivas. 3. Foram dados a conhecer e apresentados 4 documentos: – Declaração final da «Consulta Pós Sinodal: um novo Pentecostes para a África», promovido pela Cáritas África e pelo Departamento Justiça e Paz do SECAM, realizado em Maputo de 23 a 26 de Maio de 2010; – «Comunicado do Fórum das Cáritas Lusófonas», realizado na Guiné Bissau, de 26 de Abri a 2 de Maio de 2010; – «O empenho da Igreja Católica na Guiné Bissau», preparado pelos Bispos e pela Cáritas do país, a 28 de Junho de 2010; – «A acção da Igreja contra a pobreza nos países lusófonos», n.º monográfico do boletim da Fundação Evangelização e Culturas, de Julho de 2010. 4. Os Bispos manifestaram o seu agrado pela presença neste encontro de uma delegada da Rádio Vaticano e pelo particular serviço que esta emissora vai dando ao continente africano, mormente no combate à pobreza, através dos seus programas. A sua presença em São Tomé e Príncipe foi também uma ocasião para reportagens radiofónicas sobre a mulher, reconhecida como uma das principais vítimas da pobreza, a quem é preciso dar atenção para potencializar as suas capacidades de promoção social. 5. Os participantes tiveram ocasião de contactar com as autoridades locais, sendo lhes concedida uma audiência pelo Sr. Presidente da República, Dr. Fradique Bandeira Melo de Menezes, e um encontro com o Sr. Primeiro Ministro, Dr. Joaquim Rafael Branco. Ambos manifestaram o seu grande apreço pela acção da Igreja Católica no arquipélago de São Tomé e Príncipe, no campo religioso e de acção social e como elemento pacificador. 6. Feita uma avaliação destes encontros, foram sublinhados os seguintes pontos: – deverão continuar a realizar se de dois em dois anos; – a troca de experiências e projectos de Igrejas irmãs, ligadas por uma língua comum e por uma história com muitos pontos de contacto, é útil e enriquecedora; – é de fomentar a promoção de iniciativas que visem a entreajuda das diversas Igrejas, como a do acolhimento de estudantes provindos dos respectivos países e a colaboração na área da formação teológica e outros campos pastorais (catequistas, meios de comunicação social, voluntariado de leigos); – cada encontro terá um tema central, como aconteceu no presente ano, que deverá ser comunicado a todos os participantes, pelo menos, com meio ano de antecedência; – o tema e a organização logística serão da responsabilidade do episcopado do país que acolher o encontro; – os serviços de secretariado continuarão a ser confiados à FEC. 7. O próximo encontro será no ano 2012. Ficou decidido contactar os Bispos de Timor Leste, a fim de se saber da viabilidade da sua realização nessa Igreja irmã da Oceânia. Caso não seja possível, terá lugar em Angola, retomando a lista dos países da lusofonia, por ordem alfabética. 8. O tema do presente encontro foi escolhido tendo em conta o Ano internacional da luta contra a pobreza e a exclusão social e a crise económico financeira que se faz sentir nos cinco continentes, sobretudo nas camadas mais pobres. Da larga reflexão dos participantes, tendo em conta os contextos dos respectivos países da lusofonia, destacamos as seguintes conclusões: 8.1. Os objectivos do milénio, que deveriam estar alcançados em 2015, estão muito longe de serem atingidos. Com efeito, o fosso entre ricos e pobres tem aumentado. Basta verificar que, nos últimos 30 anos, duplicou o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, nos países menos desenvolvidos. Pede se especialmente aos líderes da União Europeia que honrem o seu compromisso de disponibilizar 0,7% do rendimento nacional para ajuda pública ao desenvolvimento. 8.2. Para haver menos pobreza e mais desenvolvimento, entre outras coisas, é fundamental tomar medidas no campo da partilha da terra e da distribuição da riqueza, sem esquecer o combate à corrupção e a promoção de empregos dignos. Tarefas prioritárias são ainda apostar na educação, investir na promoção da justiça e na formação profissional e no desenvolvimento dos serviços de saúde. Nas suas actividades educativas e sociais, a Igreja tem direito a usufruir, em igualdade de circunstâncias com outras instituições civis, dos recursos existentes para essas finalidades. 8.3. A Igreja, sem esquecer o papel dos Estados, Governos e das múltiplas instituições que trabalham no campo social, deve assumir, com liberdade e coragem, o seu papel profético de anúncio do Evangelho e de denúncia das injustiças. A Igreja nunca deve ter medo de evangelizar, naquilo que esta missão significa: anúncio, testemunho de vida e comunhão, diálogo e colaboração com os outros e serviço generoso a todos, com preferência pelos mais necessitados. 8.4. Estando vários países da lusofonia a celebrar o 35º aniversário da sua independência, sublinhou se a importância dos católicos participarem, de um modo mais interventivo e responsável, na construção de uma sociedade justa e fraterna. Importa alicerçar cada vez mais a acção social da Igreja no compromisso das comunidades cristãs que, para além de serem comunidades de fé, deverão assumir se como comunidades de desenvolvimento integral de todos os seus membros. É desejável promover uma monitorização das políticas orçamentais que os vários governos traçam para os seus países, através da formação de técnicos devidamente preparados que possam colaborar com as administrações públicas de cada país e com as organizações internacionais financiadoras, de modo a garantir que as verbas orçamentadas para o desenvolvimento social sejam efectivamente utilizadas para os fins a que se destinam. 8.5. A Igreja possui um rico património de doutrina social, que importa explorar e apresentar, dentro e fora das suas fronteiras. Na última Encíclica do Papa Bento XVI «Caritas in Veritate» encontram se preciosas directivas, nomeadamente sobre o desenvolvimento humano e a promoção do bem comum. 8.6. Perante o panorama das graves deficiências no campo social, nos países do norte e do sul, a Igreja assume o papel de advogada e amparo dos pobres e excluídos, como opção de fé, sem demissões nem desânimos na construção dos «novos céus e da nova terra», sabendo que é preciso criar utopias em nome da esperança cristã, cultivando o que o Papa João Paulo II apelidou da «fantasia da caridade». 9. Ao terminar este encontro em São Tomé e Príncipe, os participantes propõem o exemplo de São Tomé no seu testemunho de fé («Meu Senhor e meu Deus!») no nosso mundo, que Deus ama e pelo qual dá a vida, e invoca Santa Maria Mãe de Deus, «Estrela do mar», que sempre acompanha a todos com amor de Mãe. São Tomé, 8 de Julho de 2010 |
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A Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) alterou as datas de algumas actividades, especialmente a II Assembleia Anual da instituição e da Assembleia Plenária da IMBISA, que terá lugar em Joanesburgo.
Eis o Programa completo:
- Aprovaram como tema do próximo triénio Pastoral 2011-2013 a Família, tendo como lema “Família, levanta-te e anda. Repartindo do Sínodo para África”. Assim sendo, o primeiro ano será dedicado à Família e Matrimónio; o segundo à Família e Reconciliação; e o terceiro à Família e Cultura.
- Aprovaram a Mensagem Pastoral sobre “Vocação e Beleza do Sacerdócio”.
- Aprovaram a entrada em vigor do novo sistema do ensino nos seminários, abrangendo o sexénio dos cursos filosófico-teológicos a partir do ano de 2012.
- Aprovaram o Plano Estratégico da Caritas Nacional, visando a sua adequação aos novos tempos e a sua reestruturação em todas as Dioceses, realçando o seu papel, que é a Pastoral Social.
- Confiaram às Arquidioceses de Luanda, Huambo e à Diocese do Bié a elaboração de uma brochura sobre os 70 anos da criação destas Igrejas particulares, em vista à preparação das “Bodas de Diamante” das mesmas.
- Autorizaram a Comissão Episcopal da Justiça e Paz a dar corpo à “Monitoria Social”, no quadro do projecto da Justiça Económica.
- Os Bispos tomaram conhecimento do documento básico da vida dos seminários e recomendaram que seja revisto e adequado ao contexto actual e à reforma educativa em vigor no País.
- Indicaram D. Filomeno do Nascimento Vieira Dias e D. Emílio Sumbelelo a representar a CEAST no encontro dos Bispos Lusófonos, a ter lugar de 2 a 9 de Julho, em São Tome; D. Gabriel Mbilingui, D. Damião António Franklin e D. José Manuel Imbamba na assembleia do SECAM, a ter lugar de 26 de Julho a 2 de Agosto, em Acra (Ghana); e D. Eugénio Dal Corso na Ordenação Episcopal de D. Novatus Rugambwa, a ter lugar em Roma, a 18 do mês e ano em curso.
- Tomaram ainda conhecimento da preparação da próxima plenária da IMBISA, marcada para o próximo mês de Outubro, na África do Sul.
- Apreciaram o relatório do Instituto Universitário João Paulo II e o dossier da Universidade Católica em Benguela.
- Apreciaram também os relatórios das Dioceses e lamentaram uma certa secundarização das regiões do leste e do Zaire em relação às outras zonas do País quanto à recuperação das infra-estruturas importantes e indispensáveis para o desenvolvimento e dignificação dos povos daquelas áreas.
- Deploraram os seguintes males sociais: a violência doméstica, o aumento da delinquência juvenil, a exclusão social, a precariedade dos sectores da educação e da saúde, sobretudo nas zonas fronteiriças do leste do País e da província do Zaire; atrasos injustificados dos salários dos funcionários públicos; paralisação e recuperação lenta de algumas obras públicas.
- Os Bispos solidarizaram-se com as vítimas das chuvas que têm caído torrencialmente sobre algumas regiões do País, perigando a já precária segurança alimentar.
- Solidarizaram-se também com a Arquidiocese do Huambo pela morte do Reverendo Padre Geraldo Mulungo e com a Diocese de Saurimo pela morte do Reverendo Padre Zacarias Mussumali. Deus os tenha no seu eterno descanso.
- Receberam uma delegação do Ministério da Educação da República de Angola, encabeçada pelo Senhor Ministro, Prof. Doutor Pinda Simão, tendo analisado o statu quo do Protocolo de Cooperação entre o Ministério e a CEAST assinado em 2001, e tendo sido reafirmada a sua actualidade e vigência.
- Receberam também as seguintes delegações: 1. Conferências dos Religiosos e Religiosas de Angola, tendo reafirmado a necessidade de se trabalhar em conjunto para o bem do Santo Povo de Deus; 2. A direcção da CARITAS Nacional que apresentou o seu plano estratégico; 3. Um representante da CORDAID que apresentou aos Bispos a nova forma de cooperação com este organismo; 4. Os Cavaleiros da Ordem de São Tiago que apresentaram os seus estatutos para a sua subsequente aprovação; 5. Os representantes do Hospital Militar; 6. O secretário executivo do Secretariado Nacional da Juventude, que apresentou o seu relatório e estratégia para os próximos compromissos.
- Os Bispos participaram nas festividades alusivas às Bodas de Ouro da presença das Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria na Arquidiocese de Luanda, e da vida religiosa da Irmã Inês Caíres; e nas profissões de votos perpétuos e temporários das Irmãs do Instituto Jesus Maria José.
- Por fim, os Bispos da Conferência, numa celebração eucarística, renderam homenagem à Drª Zilda Arns, Fundadora da Pastoral da Criança, falecida no Haiti, vítima do terramoto.
IX SEMANA DE VIDA CONSAGRADA
12-15 de Janeiro de 2010
“ Em tempos de mudança, que identidade e compromisso?”
CONCLUSÕES FINAIS
“A Igreja precisa de pessoas consagradas que, ainda antes de se empenharem nesta ou naquela causa nobre, se deixem transformar pela graça de Deus e se conformem plenamente com o Evangelho” (VC 105).
Reunidos em Luanda, no salão da Paróquia de Nª Srª de Fátima, de
I - Os Consagrados constatam que ao longo da história, a Vida Consagrada sempre respondeu às mudanças sociais religiosas ganhando outros impulsos e outras fisionomias. Para responder aos novos dificuldades e desafios na Igreja e na sociedade, mantendo a fidelidade e a identidade da Vida Consagrada essa história sugere-nos hoje:
- Que os consagrados regressem às origens, ao carisma e à mística fundacional.
- Que os consagrados vivam a sua identidade, a partir de Cristo pobre, casto e obediente.
- Redescobrir o sentido da Vida Consagrada para a Igreja e para o mundo apartir da cada comunidade religiosa.
- Manter-nos abertos aos desafios de deixar o que é negativo da nossa cultura e sentir-se imerso na cultura do evangelho.
- Que cada consagrado/a esteja em constante processo de conversão sendo fiel a Cristo e ao Evangelho.
- Que os consagrados redescubram e sintam que a fidelidade a Cristo e o testemunho de vida são os grandes contribuitos que a Vida Consagrada pode dar à Igreja Local e à Sociedade angolana.
- Criar ou potenciar espaços e oportunidades de partilha de experiências entre congregações, nos lugares onde trabalham, num clima de discernimento comum e em vista de uma inter-ajuda.
- Dar continuidade e força à USMIRFA E CSMIRMA, e que se criem estas conferências nas dioceses onde não existem.
II - Os religiosos inseridos numa realidade em rápida mudança, sentem-se interpelados por novos desafios pastorais e sociais e identificam os seguintes:
- Segundo o carisma de cada instituto, responder com prontidão às novas situações de periferias e de fronteira.
- Mais formação no campo político para evangelizar os nossos destinatários.
- Que haja mais diálogo entre a Igreja e a Sociedade.
- Dar mais atenção ao fenómeno da feitiçaria que afecta a Vida Consagrada.
- Maior compromisso na Pastoral Vocacional e Familiar.
III - Os consagrados constatam que na realidade de Angola, sentem-se chamados a ler os sinais dos tempos e a exprimir de modo mais visível o seu compromisso com o seu testemunho de vida, obras e palavras (VC 109):
- Que a inculturação dos carismas seja o ponto inicial para uma verdadeira e eficaz evangelização.
- Que nos nossos locais de evangelização se fomente uma catequese séria e cuidada, respondendo aos desafios de uma sociedade em constante mudança.
- Que cada consagrado preze pelo diálogo fraterno, pela sinceridade e partilha na comunidade vencendo toda a forma de mentira e falsidade, testemunhando a riqueza da sua consagração dentro e fora da comunidade.
- Sendo fiéis à nossa identidade, devemos ser mais intervenientes nas situacões clamorosas de injustiça social de opressão e de todo tipo de desorientacão moral. Por isso a necessidade de educar a sociedade nos valores humanos e cristãos a partir das famílias e das escolas.
- Que cada consagrado/a aprofunde a Doutrina Social da Igreja para se tornar um elemento de transformação em vista de uma sociedade mais justa e fraterna.
Os participantes
15 de Janeiro de 2010
PROGRAMAÇÃO PASTORAL 2010
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São Tomé, 2 a 8 de Julho de 2010
O IX Encontro das Presidências das Conferências Episcopais dos Países Lusófonos teve lugar na cidade de São Tomé, capital da República Democrática de São Tomé e Príncipe, de 2 a 8 de Julho de 2010. 1. Foram estes os participantes, aqui enumerados por ordem alfabética das nações donde procedem: D. Filomeno Vieira Dias, Vice-Presidente da CEAST e Bispo de Cabinda, Angola; D. Emílio Sumbelelo, Secretário-Geral da CEAST e Bispo do Uíge, Angola; D. Luís Soares Vieira, Vice-Presidente da CNBB e Arcebispo de Manaus, Brasil; D. Arlindo Gomes Furtado, Bispo da Praia e Administrador Apostólico do Mindelo, Cabo Verde; D. José Câmnate na Bissign, Bispo de Bissau, Guiné-Bissau; D. Pedro Carlos Zilli, Bispo de Bafatá, Guiné-Bissau; D. Lúcio Andrice Muandula, Presidente da CEM e Bispo de Xai Xai, Moçambique; D. Francisco Chimoio, Vice-Presidente da CEM e Arcebispo de Maputo, Moçambique; D. Jorge Ferreira Ortiga, Presidente da CEP e Arcebispo de Braga, Portugal; P. Manuel Morujão, Secretário-Geral da CEP; P. José Maia, Presidente da FEC, Portugal; D. Manuel António dos Santos, Bispo de S. Tomé e Príncipe. Participaram ainda, em parte dos trabalhos, a Dra. Dulce Évora, jornalista da Rádio Vaticano, de Cabo Verde; e os Drs. Fátima Viegas e Zeferino Juliana, da Associação Cristã de Gestores e Dirigentes, de Angola. 2. Todo o grupo se sentiu muito bem acolhido em São Tomé pelo Bispo local, pelas Congregações religiosas e pelas Comunidades das Paróquias que visitou, tendo em todas rezado e nalgumas celebrado a Eucaristia. Foi uma experiência de particular consolação e júbilo participar na ordenação presbiteral do Padre diocesano Fausto Matos e na celebração dos 25 anos de sacerdócio de D. Manuel António dos Santos. Todo o grupo se sentiu confortado pela fé do povo irmão santomense, manifestada particularmente nas celebrações eucarísticas muito participadas e festivas. 3. Foram dados a conhecer e apresentados 4 documentos: – Declaração final da «Consulta Pós Sinodal: um novo Pentecostes para a África», promovido pela Cáritas África e pelo Departamento Justiça e Paz do SECAM, realizado em Maputo de 23 a 26 de Maio de 2010; – «Comunicado do Fórum das Cáritas Lusófonas», realizado na Guiné Bissau, de 26 de Abri a 2 de Maio de 2010; – «O empenho da Igreja Católica na Guiné Bissau», preparado pelos Bispos e pela Cáritas do país, a 28 de Junho de 2010; – «A acção da Igreja contra a pobreza nos países lusófonos», n.º monográfico do boletim da Fundação Evangelização e Culturas, de Julho de 2010. 4. Os Bispos manifestaram o seu agrado pela presença neste encontro de uma delegada da Rádio Vaticano e pelo particular serviço que esta emissora vai dando ao continente africano, mormente no combate à pobreza, através dos seus programas. A sua presença em São Tomé e Príncipe foi também uma ocasião para reportagens radiofónicas sobre a mulher, reconhecida como uma das principais vítimas da pobreza, a quem é preciso dar atenção para potencializar as suas capacidades de promoção social. 5. Os participantes tiveram ocasião de contactar com as autoridades locais, sendo lhes concedida uma audiência pelo Sr. Presidente da República, Dr. Fradique Bandeira Melo de Menezes, e um encontro com o Sr. Primeiro Ministro, Dr. Joaquim Rafael Branco. Ambos manifestaram o seu grande apreço pela acção da Igreja Católica no arquipélago de São Tomé e Príncipe, no campo religioso e de acção social e como elemento pacificador. 6. Feita uma avaliação destes encontros, foram sublinhados os seguintes pontos: – deverão continuar a realizar se de dois em dois anos; – a troca de experiências e projectos de Igrejas irmãs, ligadas por uma língua comum e por uma história com muitos pontos de contacto, é útil e enriquecedora; – é de fomentar a promoção de iniciativas que visem a entreajuda das diversas Igrejas, como a do acolhimento de estudantes provindos dos respectivos países e a colaboração na área da formação teológica e outros campos pastorais (catequistas, meios de comunicação social, voluntariado de leigos); – cada encontro terá um tema central, como aconteceu no presente ano, que deverá ser comunicado a todos os participantes, pelo menos, com meio ano de antecedência; – o tema e a organização logística serão da responsabilidade do episcopado do país que acolher o encontro; – os serviços de secretariado continuarão a ser confiados à FEC. 7. O próximo encontro será no ano 2012. Ficou decidido contactar os Bispos de Timor Leste, a fim de se saber da viabilidade da sua realização nessa Igreja irmã da Oceânia. Caso não seja possível, terá lugar em Angola, retomando a lista dos países da lusofonia, por ordem alfabética. 8. O tema do presente encontro foi escolhido tendo em conta o Ano internacional da luta contra a pobreza e a exclusão social e a crise económico financeira que se faz sentir nos cinco continentes, sobretudo nas camadas mais pobres. Da larga reflexão dos participantes, tendo em conta os contextos dos respectivos países da lusofonia, destacamos as seguintes conclusões: 8.1. Os objectivos do milénio, que deveriam estar alcançados em 2015, estão muito longe de serem atingidos. Com efeito, o fosso entre ricos e pobres tem aumentado. Basta verificar que, nos últimos 30 anos, duplicou o número de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia, nos países menos desenvolvidos. Pede se especialmente aos líderes da União Europeia que honrem o seu compromisso de disponibilizar 0,7% do rendimento nacional para ajuda pública ao desenvolvimento. 8.2. Para haver menos pobreza e mais desenvolvimento, entre outras coisas, é fundamental tomar medidas no campo da partilha da terra e da distribuição da riqueza, sem esquecer o combate à corrupção e a promoção de empregos dignos. Tarefas prioritárias são ainda apostar na educação, investir na promoção da justiça e na formação profissional e no desenvolvimento dos serviços de saúde. Nas suas actividades educativas e sociais, a Igreja tem direito a usufruir, em igualdade de circunstâncias com outras instituições civis, dos recursos existentes para essas finalidades. 8.3. A Igreja, sem esquecer o papel dos Estados, Governos e das múltiplas instituições que trabalham no campo social, deve assumir, com liberdade e coragem, o seu papel profético de anúncio do Evangelho e de denúncia das injustiças. A Igreja nunca deve ter medo de evangelizar, naquilo que esta missão significa: anúncio, testemunho de vida e comunhão, diálogo e colaboração com os outros e serviço generoso a todos, com preferência pelos mais necessitados. 8.4. Estando vários países da lusofonia a celebrar o 35º aniversário da sua independência, sublinhou se a importância dos católicos participarem, de um modo mais interventivo e responsável, na construção de uma sociedade justa e fraterna. Importa alicerçar cada vez mais a acção social da Igreja no compromisso das comunidades cristãs que, para além de serem comunidades de fé, deverão assumir se como comunidades de desenvolvimento integral de todos os seus membros. É desejável promover uma monitorização das políticas orçamentais que os vários governos traçam para os seus países, através da formação de técnicos devidamente preparados que possam colaborar com as administrações públicas de cada país e com as organizações internacionais financiadoras, de modo a garantir que as verbas orçamentadas para o desenvolvimento social sejam efectivamente utilizadas para os fins a que se destinam. 8.5. A Igreja possui um rico património de doutrina social, que importa explorar e apresentar, dentro e fora das suas fronteiras. Na última Encíclica do Papa Bento XVI «Caritas in Veritate» encontram se preciosas directivas, nomeadamente sobre o desenvolvimento humano e a promoção do bem comum. 8.6. Perante o panorama das graves deficiências no campo social, nos países do norte e do sul, a Igreja assume o papel de advogada e amparo dos pobres e excluídos, como opção de fé, sem demissões nem desânimos na construção dos «novos céus e da nova terra», sabendo que é preciso criar utopias em nome da esperança cristã, cultivando o que o Papa João Paulo II apelidou da «fantasia da caridade». 9. Ao terminar este encontro em São Tomé e Príncipe, os participantes propõem o exemplo de São Tomé no seu testemunho de fé («Meu Senhor e meu Deus!») no nosso mundo, que Deus ama e pelo qual dá a vida, e invoca Santa Maria M& Senhor Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Damião FranklinAbriu os trabalhos o Senhor Arcebispo de Luanda e Presidente da CEAST, Dom Damião Franklin, que depois de saudar o senhor Núncio Apostólico, procedeu a análise das actividades da CEAST no último triénio e a apresentação dos desafios que se colocam à missão da Igreja nos nossos dias. Os Bispos de Angola, reunidos em Assembleia, gostariam de dar uma palavra de ânimo e de orientação aos nossos estimados catequistas. |