NÚNCIO APOSTÓLICO: “Angola está a implementar um processo de desenvolvimento”
24-08-2010
NR - Senhor Núncio Apostólico, quando foi nomeado pelo Papa Bento XVI para vir a Angola, qual foi o seu primeiro sentimento?
NA - Muito obrigado pela pergunta. O primeiro sentimento que tive foi, sobretudo, de grande dignidade e acção de graças a Deus por me te escolhido para esta missão. Ao mesmo tempo, foi um sentimento de pequenez da minha personalidade. Esta é a situação que encontrei em mim próprio, talvez certa incapacidade de fazer o trabalho que o Santo Padre me confiou. De igual modo, agradeci a Deus que me confiou e me confirmou nesta missão. Pois, Deus está sempre connosco nas acções que nos pede, dá-nos a sua graça que nos torna capazes de O servir com as nossas fraquezas e incapacidades. De facto, vim à Angola e São Tomé cumprir a minha promessa e, continuamente, dou graças a Deus por me ter chamado. Além disso, espero e sei que terei muita ajuda da Igreja de Angola e de São Tomé. E com esta ajuda, estou certo que iremos adiante com o trabalho da Igreja e com a minha missão nesta terra.
NR - Este é um momento especial para a Igreja em Angola... O facto de pela primeira vez receber o primeiro Núncio, que é embaixador do Vaticano, oriundo de um país africano significa exactamente o que para si?
NA - Bem, mesmo na universalidade da Igreja, eu não sou o primeiro Núncio africano. Há muitos bispos e cardeais... No meu caso, trata-se apenas da continuação do trabalho e do que a Igreja tem vindo a fazer para o seu povo em todas partes do mundo, em todos os países, em todas as raças e cores. Tudo isto faz parte da acção da Igreja. Obviamente, sou o primeiro Núncio africano em Angola. Penso que isto é sinal de que todos nós podemos estar disponíveis para servir a Igreja em qualquer parte. Angola tem enviado missionários a muitos cantos do mundo. As pessoas vêm a Angola porque viram essa luz. E a Igreja, em toda a parte, é chamada a ser um instrumento para evangelizar o mundo. Neste contexto, a nossa presença em qualquer parte deve reflectir a mesma missão de servir a Igreja em todos os momentos e em todas as circunstâncias.
NR - Sendo a sua primeira missão de serviço à Igreja como Núncio Apostólico, espera grandes desafios?
NA - Bem, certamente, é a primeira vez. E penso que sim. Mas eu não sou primeiro Núncio aqui. Por isso, o que farei será a continuação do trabalho já realizado pelos meus predecessores. Confio que o Senhor faz o mesmo trabalho também por nós e para connosco, ajuda-nos com a sua graça. Pelo que quando enfrentamos fraquezas, sabemos que o Senhor está connosco. Isto facilita o nosso trabalho.
NR - O que é que espera da Igreja em Angola, ao iniciar agora a sua missão?
NA - Como podemos ver, há questões específicas em todos os países. Ora, Angola está a implementar um processo de desenvolvimento em todos os sectores. A Igreja está a fazer o mesmo e, por isso, deve tentar adaptar-se a estas circunstâncias, às novas ideias e aos novos eventos para melhor conduzir e guiar o povo de Deus. Penso que estas são as tarefas que temos agora pela frente, e é o que a Igreja irá fazer neste período especial da história de Angola. A Igreja está a fazer muito. Ela acompanhou o povo durante a guerra, seguiu o povo nos momentos difíceis e, mesmo agora, está cada vez mais presente, porque Deus está connosco. Por isso, penso que a Igreja de Angola continuará a marcar presença na vida das pessoas. Em momentos de paz, de crise, de tensão ou de conflito, Ela estará sempre presente a conduzir-nos e a dar-nos esperança em Nosso Senhor Jesus Cristo.