Homilia para a Associação Cristã de Gestores e Dirigentes
Excelência Reverendíssima, Dom Gabriel Mbilingi,
Reverendo Padre Dionísio,
Caríssimos amigos da Associação Cristã de Gestores e Dirigentes,
Sejam todos bem-vindos a esta Casa que é do Santo Padre e, por isso, nossa Casa, onde cada um de nós deve sentir-se à vontade.
Sinto uma satisfação especial de vos receber aqui e de celebrar convosco esta Santa Eucaristia.
Esta particular satisfação brota não só do encontro em si com tantas personalidades que conferem lustro ao próprio nome no âmbito específico da sua profissão, mas também porque nesta Associação vejo realizada uma ideia que o Núncio favoreceu no seio da Conferencia Episcopal e que, muito depressa, encontrou aceitação favorável dos Senhores Bispos.
A sugestão inicial era a de se proporcionar assistência espiritual e agregação aos políticos católicos que, embora militantes em diversos partidos, não podem viver divididos ou isolados ao exprimir as suas próprias opiniões e, sobretudo, o eventual voto pessoal sobre matérias éticas que a fé católica considera não negociáveis e que estão, portanto, acima de qualquer regra partidária, porquanto reentram na esfera da própria consciência de crentes. Falo, por exemplo, de temas como o aborto, a bioética, a concepção do matrimónio e da família, a eutanásia, etc. Assuntos que parecem ainda não tocar o interesse da sociedade angolana, mas que um dia, sob a pressão de correntes de pensamento que invadem hoje o mundo ocidental, poderão fazer irrupção na realidade angolana e, diante dos quais, os católicos deverão estar preparados para os enfrentar.
A iniciativa encontrou, portanto, o seu terreno fértil e a sua realização, e inclusivamente superou os seus limites iniciais, tendo-se alargado a outras categorias de pessoas como os profissionais da sociedade civil e os dirigentes de empresas de renome. Nisto, exprimo a minha gratidão e reconhecimento a S.E.R. Dom Mbilingi que, encorajado pelo Presidente da CEAST, S.E. Dom Damião Franklin e coadjuvado por excelentes Sacerdotes e por leigos abnegados, soube dar corpo concretizador e espessura organizativa á Associação. Vi-vos nascer com um pequeno número, mas agora noto com crescestes! Começastes com simples retiros espirituais, mas neste momento recebo informações de que tendes tido encontros periódicos de formação, e bem programados.
É preciso dizer que a vossa acção destacou-se tão depressa quando, com disponibilidade apreciável, aceitastes vir ao encontro de exigências concretas dos Bispos ou Sacerdotes. Dos vossos programas futuros constam projectos ambiciosos e louváveis de sustentamento económico para as Dioceses. Todas essas iniciativas são realmente louváveis e recebem o aplauso do Núncio e dos vossos Bispos. Gostaria, porém, de vos convidar a nunca perder de vista o objectivo fundamental da vossa Associação, que se pode ler no art. 4º do esboço dos vossos Estatutos: “aprofundar, difundir e aplicar na prática a doutrina da Igreja católica relativa á vida empresarial e ás instituições empenhadas na promoção da paz social, no desenvolvimento harmonioso, no bem estar social e individual”.
A propósito deste artigo, e dado que os estatutos estão ainda na fase de elaboração, quereria propor-vos a pensar a oportunidade de se introduzir uma palavrinha muito importante: política. Por isso, no meu entender, o artigo poderia recitar-se do seguinte modo. “Aprofundar, difundir e aplicar na prática a doutrina da Igreja católica relativa á vida politica, empresarial, etc.” Deste modo, não se excluiria nenhum contexto ou âmbito da sociedade daquele sal do Evangelho que os cristãos são chamados a levar a toda parte. Tanto mais que, como recordava o Santo Padre num dos seus discursos recentes: «um aspecto significativo da missão própria dos leigos é o serviço á sociedade com o exercício da política» (Discurso aos Bispos de Paraguai in “L’Osservatore Romano, 12-9-2008).
Apraz-me referir ainda a este artigo, para me deter e sublinhar uma passagem extremamente importante: “aplicar na prática a doutrina da Igreja”.
Caros irmãos e amigos, precisamente aqui se joga a nossa credibilidade de cristãos empenhados e sérios. A doutrina da Igreja deve ser estudada, aprofundada e, antes de ser divulgada, ela deve impregnar a prática de todos os dias, deve ser vivida por quem a quer propor aos outros. A nossa doutrina não é uma simples soma de ideias a conhecer de memória, mas é uma vida a viver, porque é a vida mesma de Cristo. Reunir-vos em Associação significa encontrar conforto e encorajamento recíproco para ser testemunhas fortes, preparadas, exemplares e coerentes na prática da vida Cristiana .
O «Compêndio da Doutrina Social», que desejo oferecer a cada um de vós, quer ser um sinal modesto da simpatia do Núncio pela vossa Associação e, sobretudo, um instrumento que vos ajude a conhecer e a traduzir na vossa vida concreta a doutrina social da Igreja.
O Senhor vos acompanhe e torne frutuoso o vosso empenho generoso de construtores de uma sociedade nova inspirada nos valores cristãos da justiça e do bem comum. Que assim seja!