Homilia para a inauguração do santuário de N. Sra. do Monte da Caála
“Este é o dia que o Senhor fez”. Com o salmista, podemos cantar e exultar de alegria pelo dia de hoje.
É um dia de júbilo e de acção de graças. Vejo no rosto de cada um de vós uma alegria inefável, porque todos vos sentis hoje protagonistas de um dia histórico. O Santuário de Nossa Senhora do Monde da Caála, santuário tão querido a vós fiéis de toda a Arquidiocese do Huambo, readquire hoje o seu antigo esplendor. Destruído pela guerra, este santuário, que os nossos olhos observam completamente restaurado, poderá ser novamente meta das vossas peregrinações. Ele ergue-se como símbolo da paz reencontrada e da reconstrução de Angola.
Para tornar mais solene esta ocorrência, quiseram aqui estar o Eminentíssimo Cardeal Dom Alexandre do Nascimentos e outros Excelentíssimos Irmãos no Episcopado, Arcebispos e Bispos. A eles vai o meu fraterno obséquio e o sentido agradecimento. A vossa presença, Eminência e Excelências, honra esta cidade e toda a Arquidiocese do Huambo.
A minha fraterna e calorosa saudação quer abraçar, de modo particular, o Arcebispo desta Diocese, o caríssimo Dom José Alves de Queirós. Agradeço-lhe do profundo do coração por me ter formulado o convite de aqui estar e presidir a esta Celebração litúrgica. Um agradecimento maior se levanta especialmente pelo trabalho apostólico que Ele exerce no meio de vós e por ter concluído, graças ao concurso de vários benfeitores, a obra da reconstrução da Capela de Nossa Senhora do Monte. Que o Senhor o abençoe e lhe dê a justa recompensa!
Apresento os meus distintos obséquios às Ilustríssimas Autoridades Governamentais, Civis e Militares presentes, assim como aos Representantes das Igrejas irmãs que se dignaram unir a esta solene oração à Nossa Senhora do Monte.
A minha saudação, de todo especial, vai para vós, caríssimos sacerdotes, Religiosos e Religiosas, catequistas e santo povo de Deus.
A todos vós transmito a saudação e a bênção do Santo Padre, com quem tive a graça de me encontrar pessoalmente no Domingo passado durante a Sua visita à minha Região, Sardenha. Posso garantir-vos que Ele tem Angola no seu coração e nas suas orações, para cuja sorte não cessa de mostrar interesse e atenção.
Minhas irmãs e meus irmãos, convosco também eu peregrino, desejo convidar-vos a levantar o vosso olhar para a Nossa Senhora e deixarmo-nos conduzir por Ela para acolher a mensagem de Nossos Senhor, a mensagem que Ele, Palavra Divina e Palavra de vida eterna, quer comunicar ao coração de cada um de nós.
A Liturgia de hoje propõe-nos a Festa da Exaltação da Cruz. Na cruz Cristo morreu, da cruz vem a salvação para a humanidade inteira. Na cruz se manifestou o amor infinito de Deus pelos homens; aquela mesma cruz tornou-se o símbolo do amor perfeito, a maior expressão da doação total e desinteressada. Na cruz consumaram-se as últimas e tremendas dores do Filho de Deus; esta mesma cruz tornou-se a explicação, o valor, a força para todo o sofrimento humano. Por isso, nós a honramos e veneramos. Hoje a exaltamos e a escolhemos como sinal da nossa fé e da nossa resposta pessoal ao Amor de Deus.
Aos pés da Cruz – ouvimo-lo há instantes no Evangelho – se consuma também o amor de uma Mãe, Maria, o amor daquela que silenciosamente assiste gélida à morte do seu próprio filho inocente, Jesus. É o amor de uma Mãe vivido até às últimas consequências. É um amor de Mãe para com o Filho Jesus, é um amor de Mãe para com toda a humanidade. É o amor de uma mulher totalmente disponível a perder tudo, até o mais caro afecto, como o próprio Filho, e tudo isto para o cumprimento do Desígnio de Deus sobre a humanidade.
Aos pés da Cruz assistimos ao amor cruzado da Mãe e do Filho que tudo oferecem ao Pai, para que a humanidade encontre o caminho da salvação e compreenda que sobre si voi lançado o amor infinito de Deus.
“Deus nos ama”: este é o grito que deve brotar do nosso coração perante a Cruz. Esta é a mensagem de que nós, cristãos, devemos ser testemunhas e anunciadores.
É este anúncio que o povo santo de Deus espera de vós, caríssimos jovens que vos preparais para receber a Ordenação sacerdotal.
Na verdade, a hodierna Celebração tem uma outra razão que a torna mais solene e deveras especial: cinco filhos da vossa terra serão ordenados sacerdotes. Eles decidem doar-se e entregar-se totalmente ao Senhor e à Sua Igreja.
Seja louvado o Senhor que não abandona o Seu povo e que, chamando José, Marcelino, Miguel, Tomás e Leonardo para a Sua sequela, quis manifestar a presença da acção vivificante do Seu espírito no meio de vós!
Queridos jovens, alta é a missão a que fostes chamados.
Fostes chamados, como disse atrás, a ser as testemunhas da Cruz.
A Igreja, acolhendo-vos como seus Ministros, não pode prometer-vos muito. Não vos podemos iludir e nem vos iludais com glórias ou riquezas materiais. A única coisa certa que vos asseguramos é que aquilo que encontrareis no vosso futuro é a Cruz, a Cruz de Jesus. Mas a Cruz que a Igreja vos apresenta é o sinal do Amor de Deus, é a esperança da humanidade. Deixai-vos seduzir por esta paixão e fazei compreender aos vossos contemporâneos, jovens como vós, aos vossos amigos, à vossa família e a todos os fiéis, que no vosso coração não tendes outro desejo senão o de abraçar e de anunciar a Cruz da salvação.
Fostes chamados a ser o traço de união entre a realidade da Trindade e a Comunidade Eclesial: deveis sentir-vos imagem da Trindade divina; qualquer coisa que fizerdes, mesmo as coisas mais normais da vida, impregnai-as com o sabor do amor divino. Sede sobretudo homens de comunhão imitando a Trindade Santa: vivei sempre na comunhão com o Santo Padre, Pastor universal da Igreja, com o vosso Bispo, com os vossos irmãos sacerdotes, com o vosso povo.
Fostes chamados a ser os homens da liturgia, da Palavra de Deus, da Eucaristia, os Mestres da Oração: sede santos e ajudai o povo de Deus a tornar-se santo. Esta é a vossa e nossa primeira vocação. O povo que vos for confiado será santo, se vós fordes santos.
Finalmente, sede portadores da mensagem que vem desta Capela: ontem, destruída, a simbolizar a morte, a ruína, a guerra; hoje, reedificada e renovada, representando a paz, a reconstrução, o progresso, a esperança para toda Angola.
Esta imensa Angola, vosso querido País, que a semana passada viveu a peculiar experiência do pleito eleitoral, escreveu uma página importante e exemplar na história dos povos. O mundo admirou e enalteceu o civismo no comportamento e a serenidade de espírito dos seus habitantes. Com as vossas palavras, com as vossas obras, com o vosso ministério, queridos sacerdotes, ajudai os vossos fiéis a serem sempre cidadãos exemplares e construtores eficazes duma sociedade nova baseada no amor, no respeito e na justiça.
Nossa Senhora do Monte ajude-vos a levar a bom termo os vossos propósitos; continue a ser farol para o Padre Tomás e para o Padre Félix, que estão a comemorar o seu jubileu sacerdotal.
Seja Maria refúgio e protecção para o povo do Huambo e para todos nós que aqui nos congregamos em nome do Senhor.
Maliya Nasoma yombémbwa, lumbungululu lwelavoko, atulombeleko. Amén.